Sunday, November 26, 2006

duas notas de lamento

Recebi há pouco tempo um sms a dizer que morreu Mário Cesariny, hoje de madrugada. Houve uma altura da minha vida em que estudei bastante a obra dele e me assombrei, não tanto com a obra, mas com a capacidade e necessidade de experimentação que lhe conferia uma actualidade e surpresa permanetes e indiscutíveis. Descobri entretanto por sua causa que havia mais sombras do que luz na história relativamente recente do país, e que por isso, Cesariny era uma escolha difícil. "Deixe-o morrer..." Jamais me esquecerei desta frase. E desisti de falar com ele. Não lamento ter desistido. Percebi e como disse descobri com o tempo que o aviso fazia sentido, apenas.


Ontem, fez oito anos (creio) que Nelson Goodman morreu também. Anotei na agenda. Lembrei-me dele por isso. Anotei na agenda porque quis lembrar-me. Nelson Goodman que nunca conheci pessoalmente e com quem nunca desejei falar é, de forma diferente, uma enorme influência na minha forma de compreender as alterações na forma de olhar o mundo ao longo do tempo. Acabei por juntar também os meus aos seus inúmeros olhos para compreender e aprender coisas verdadeiramente simples. Aliás é uma formula terrivelmente simples de ver e compreender os outros, apenas.


2 Comments:

Blogger -pirata-vermelho- said...

... mas
por achar que o Cesariny é pérfido?
Ou só por ser 'aquilo'?


É inegável o esplendor que o rodeou sempre, não é?

2:45 PM  
Blogger TR said...

Não Pirata. Apenas porque o resultado do trabalho, por falta de acesso a fontes credíveis e importantes não teria qualquer importância. De resto, admiro muito, como disse, não tanto o seu trabalho mas mais a sua postura perante a vida que naturalmente, se refletiu no seu trabalho. :-)

3:07 PM  

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